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25 de Setembro de 2017

O paradoxo tecno processual de Laercio Moura

perigoso precedente na abordagem de crimes de carater sexual

Flavio Fagundes Ferreira
há 12 dias

O Tribunal de Justiça do estado do Paraná vai ter de enfrentar sério dilema nos próximos meses. Trata-se do paradoxo tecno processual em que foi jogado o ex-BBB LAERCIO DE MOURA, encarcerado por mais de ano e meio e na data do presente texto (09.08.2017) ainda não sentenciado.

O paradoxo revela-se do seguinte modo: Se absolvido, o Tribunal restará desmoralizado, posto que manteve pessoa inocente em acomodações estaduais por mais de 500 dias, em tortura inominável em sede de estado de Direito.

Ao mesmo tempo, as alegações de que somente houve o funcionamento (?) da máquina judiciária estatal devido aos 15 minutos de fama do preso não serão passíveis de rebate.

Por outro lado, de modo a salvar a honra da instituição, a Sentença terá de ser muito pesada para ao menos corroborar o medieval encarceramento sem processo de durabilidade razoável, o que também será totalmente injusto.

A menos que tenha havido sério abuso de menor de 14 anos no curto espaço de tempo em que foi defenestrado do patético concurso televisivo e os poucos dias em que esteve na capital paranaense até ser sua prisão preventiva (?) decretada, sob qualquer óptica o mal já estará feito.

A maior vítima é o próprio Laércio, que acabará tendo de sair do país ante a pecha de pervertido a que foi alçado (e o povo não tem o menor entendimento do porquê de tantos meses preso a não ser que seja culpado) , com a vida pessoal e pública totalmente destruídas, com mãe ainda vida e a sofrer os horrores da angustia de um filho preso.

Certamente a hipótese de que as acusações são de notícias “pinçadas” ao longo da década e se revestem somente de mexericos e tolices em comunicadores de internet é a acertada.

O que se pretende aqui não é, pois proteger a antipática figura barbuda , verdadeiro falastrão, mas sim os métodos de resolução e abordagem de casos semelhantes, totalmente kafkianos.

No estado de Direito imaginativo em que vivemos, não é possível uma atitude a “la Moro” , de mandar prender para depois se verificar o que realmente está a acontecer. Acusações de crimes sexuais são por demais sérias e contundentes para serem tratadas com leviandade, pois destroem famílias inteiras, traumatizam, além das vítimas, os filhos do acusado, destroem seu casamento, arrasam seu negócio e extinguem seu emprego a um simples mexerico nesse sentido.

Infelizmente este não é o primeiro nem será o ultimo exemplo no Estado, mas enquanto o método Savaski/Gestapo continuar a ser utilizado, o sempre tênue tecido social brasileiro continuará sempre a piorar com mais esta navalha.


Ao pobre Laércio, resta apenas que as orações de sua genitora sejam atendidas, e que um juiz que realmente leia os autos de forma completa e perceba que as acusações são de ridículas atitudes esparsas no tempo e datadas de vários anos tenha a coragem de absolvê-lo, e não julga-lo pelo `conjunto da obra` ou por sua aparência desagradável e fechar de forma errada este capítulo da história judiciária quanto a vida de Laércio.

Postado há 9th August por FLAVIO FAGUNDES FERREIRA



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